Passei a vida inteira sem comer jiló. Todo mundo diz que tal alimento
era amargo, azedo, acre, horrível e tantas outras classificações cabíveis. 0 que quase ninguém sabe é se ele é um fruto,legume, verdura ou hortaliça. E eu torcia o nariz só de ouvir alguém falar no bendito jiló, eu detestava jiló a ponto de nem mesmo ter coragem de olhar para o coitadinho. E pasmem, essa repugnância toda sem nem ao menos ter experimentado determinado alimento que, convenhamos, tem uma fama bem negativa. Um dia resolvi encará-lo, certo de que confirmaria o que todos dizem sobre ele. Fiquei então decepcionado, não com o gosto do jiló, mas sim com o tempo que eu havia perdido sem comer tal maravilha culinária. Foi amor à primeira vista e, confesso que estou recuperando o tempo perdido, comendo jiló toda semana. Essa constatação me fez reavaliar muitos conceitos (na verdade preconceitos) que trazemos conosco sem saber nem o porquê de defendermos essas ideologias pré-concebidas. Cheguei à conclusão de que deixamos de conhecer tantos sabores da vida, pura e simplesmente por “irmos na onda” do que dizem por aí, sem tirarmos nossas próprias conclusões sobre diversos assuntos em questão. Devemos, oras, provar o que a vida nos oferece, para então sabermos realmente o que é repugnante e vir isso a ser descartado, e o que é delicioso, tal a ser incluído no nosso “cardápio”. Tenho quase a certeza de que você não gosta de jiló e, se não gostar mesmo, quase posso afirmar que nem mesmo comeu jiló. A vida tem muitos sabores a serem descobertos, então não perca mais tempo, experimente!
Jair Padeiro
Uraí – Paraná
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