Uma Nova Inspiração

17 04 2015

Uma Nova Inspiração

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Oi gente, um forte abraço.

O nosso último texto foi “Uma Casinha Pobre”. Veja agora a nossa nova mensagem, em forma de conto.

 

Conhecidíssimo em toda parte, nosso personagem principal, o Sr. Arkadius, de origem Alemã, natural da cidade de Munique, um homem de andar apressado e olhar altivo; esse cidadão já com os cabelos grisalhos era um grande empresário, sua fábrica tinha mais de mil empregados, era proprietário de muitos imóveis de luxo em vários pontos da cidade. O Alemão, como era chamado, era dono de uma grande fortuna.

Nasceu em berço de ouro, nunca teve dificuldades para resolver, nenhum tipo de problema, o dinheiro falava alto, ele tinha o mundo aos seus pés e por esse motivo se considerava invulnerável, achava que as adversidades da vida nunca bateriam em sua porta.

Era um cidadão muito honesto, sua riqueza era real, vinha dos lucros empresariais. Mas havia um porém, era ateu e muito racista:- em meio a centenas de funcionários que trabalhavam em sua indústria, sua casa, sua fazenda, não havia um sequer que fosse de pele escura. Ele não aceitava, em hipótese nenhuma.

Este pobre homem nunca conheceu na verdade o lado bom da vida, a verdadeira felicidade ou o prazer nas coisas mais simples, e por esse motivo, tinha um orgulho obstinado de toda sua fortuna.

Seis de janeiro, o ano estava se iniciando, era o momento de tirar umas férias. Dessa vez ele não iria para Moscou, Miami ou Berlim, como não gostava de praia então ele e seu menino de onze anos iriam descansar em um hotel fazenda.

Untitled2Terça feira, oito da manhã, sua caminhonete está com as malas e alguns objetos pessoais. O Alemão põe o carro na rodovia, rumo às estradas montanhosas de Minas Gerais.

Cinco horas e vinte minutos, escritos, após pegar um mau tempo tenebroso, o carro lamacento, bem próximo a um grotão em meio a um vale montanhoso; seu GPS havia perdido o sinal por causa do mal tempo e na tentativa de sair do alcance da tempestade, havia corrido sem rumo por cerca de 80 quilômetros. Parando quando já não havia mais visibilidade para continuar dirigindo.

O céu está lúgubre e turvo, ventava forte e as arvores balançavam, muitos galhos pairavam pelos ares, relâmpagos clareavam os montes à sua volta e os trovões pareciam sacudir as montanhas, uma clássica cena da fúria da natureza em ação que fazia lembrar umfilme de terror do saudoso mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Untitled3Sete horas e dez minutos, a chuva forte passou, apenas chuvisca, o menino olha em direção a um grotão, atraído pelo cantar dos curiangos e milagrosamente vê um clarão;“olha papai lá embaixo parece ter alguém”; o homem olha, dá um suspiro fundo e conclui,“só pode ser uma casa”. Ambos saem a caminho, de farolete na mão, rumo àquela luz, e após algumas dezenas de metros ladeira abaixo se deparam com uma casinha bem pobrezinha.

O Alemão, desorientado, bate na porta. “Tem alguém ai?” A porta se abre bem lentamente com o rangido de uma velha porteira enferrujada, e de lá de dentro surge um casal de negros, envoltos por uma pálida luz incandescente.

E agora? Aonde vai o racismo? Os donos da casa, seu Jorge e dona Joana, em sua humildade sertaneja, vendo a situação do empresário e seu filho, carinhosamente os convidama entrar. O menino, assustado da forma que estava entra rápido; o Alemão, ainda estático com a situação em que se encontrava, parecia perdido nos próprios pensamentos, relutante, parado frente à porta, estava tentando decidir-se, quando rasgou o céu em fúria o som estrondoso de um trovão que, reiterado por gestos de mãos apontando casa adentro, o fizeram mover-se, instintivamente.Untitled4

Pela primeira vez o rico empresário e seu filho entram na casinha pobre de um casal de sertanejos. Parece não ser real, o empresário está perplexo.No canto da cozinha um fogão a lenha e duas paredes pretas, esfumaçadas, ao lado um pequeno banheiro, e bem no centro do pequenocômodo uma mesa de madeira maciça.Ao invés de cadeiras suntuosas, alguns banquinhos talhados em madeira bruta, uma salinha sem móveis, e mais ao fundo um quarto, apenas um pequeno quarto.

O Sr. Arkadius sabia o que era o luxo, conforto, podia preencher um cheque com um alto valor a qualquer momento, mas o grande empresário não sabia o que seria viver na simplicidade, na privação. Pela primeira vez em sua vida ele sentiu na pele a dor das pessoas que vivem de migalhas, e pela primeira vez o Alemão sentiu compaixão e algumas lágrimas timidamente rolaram por seu rosto: uma nova inspiração começava naquele momento a regar a sua alma.

Oito horas e vinte seis minutos, depois de alguma resistência e hesitação, uma boa conversa e risos, é hora de comer alguma coisa que Dona Joana tinha preparado. Nove e quarenta, seu José acende o fogo e coloca duas latas de águas para esquentar, o empresário e o filho vão tomar um banho de bacia. O grande empresário parece não crer na realidade do momento e, na visão do pensamento, ele vê o seu luxuoso banheiro, com sua hidromassagem. Que humilhação para um cidadão de alta posição social.

Dez e meia, hora de dormir, apenas um quarto e uma única cama, a Dona Joana estende algumas cobertas no chão da sala onde ela e o seu Jorge irão dormir, a dupla visitante iria para o quarto dormir em sua cama.Untitled5

Antes de dormir profundamente, Arkadius fecha os olhos e começa a ouvir o que acontece à sua volta: o som da chuva, tão próximo que parecia não ter um teto sob sua cabeça, algo que em sua grande mansão de suspensos limites muito elevados, não era possível ouvir. Dormir ao som da chuva, ouvindo, no máximo, o cantar de coruja, seria o melhor sono que o Sr. Arkadius teria em toda sua vida.

Untitled6Sete de janeiro, quarta-feira, seis e quarenta e oito, o casal carinhosamente convida para que pai e filho venham tomar um cafezinho. Pela primeira vez a dupla não teria uma mesa farta com frutas, cereais, leite, seus derivados e outras delícias gastronômicas. Em cima da chapa quente, para que não esfrie, um bule com café e na pequenina mesa um bolo de fubá e uma tigela com alguns pedaços de batata doce cozida e algumas canecas, e nada mais. Quatro pessoas confinadas ali naquela casinha esperando que as horas passem.

Dessa vez o cheque ouro, sua gorda conta bancária não poderia resolver aquela situação difícil do grande empresário. Tudo seria movido de acordo com os propósitos de Deus. E lá naquele pedacinho de sertão que parecia estar esquecido do resto do mundo, Deus iria usar o tempo para transformar um coração de pedra em um coração de carne. O empresário conhecia muito bem o valor do dinheiro, mas ali naquela casinha pobre diante da humildade daquele casal ele iria conhecer o valor da vida despida de todo o conforto que o dinheiro podia comprar. A chuva não para, as horas passam, seu José conta histórias bonitas que deixam o menino encantado; são onze horas, o fogão a lenha está aceso, a fumaça sobe pela chaminé e se espalha pelo telhado, finalmente o almoço está pronto. E pela primeira vez o menino e o pai não vão saborear uma picanha, um bife acebolado, a mistura agora é cambuquira e abobrinha refogada.

Oito de janeiro, o dia foi chuvoso, já são sete e quinze da tarde, a janta está em cima do fogão, que ainda está aceso, a cena do dia anterior se repete: todos de prato na mão, e mais uma vez, na visão do pensamento, o empresário vê sua mesa farta. Mas dessa vez ele não vai comer, empurrar o prato e sentar em sua luxuosa sala e assistir ao jornalismo com Boris Casoy e o seu inconfundível “isso é uma vergonha”.

Depois do prato vazio ele vai colocá-lo em cima do fogão, sentar em um banquinho e, posteriormente, ir dormir mais uma vez em uma cama que não era sua. E nesse exato momento ele se sente vulnerável, seu orgulho fora quebrado de vez, e uma nova inspiração inunda sua alma. “O rei está nu”, como diz a fábula. Assim como os botões das árvores a natureza transforma em flores, as dificuldades da vida quebram o nosso orgulho e nos dá uma nova visão. O que é preciso para quebrarmos nosso orgulho? Um leito de hospital, uma cadeira de rodas? Perder um bom emprego ou ver “partir para nunca mais” um ente querido? Perder a pessoa que amamos?Untitled7

E assim foi por duas semanas seguidas, chuvas e mais chuvas, quando finalmente o sol volta a brilhar, mas preciso eram ainda três dias de sol para que a camionete pudesse rodar. Fim de janeiro, é chegado o momento de partir, o empresário não iria mais procurar um hotel fazenda, voltaria para sua casa, feliz e realizado, de uma forma como nunca imaginara. O cenário pavoroso que ele viveu com seu filho na camionete, o amor e o carinho de seu Jorge e dona Joana, a extrema pobreza daquela casinha que ele viu, tudo isso fez com que nascesse em seu coração uma nova inspiração. Seu orgulho foi quebrado, o racismo caiu por terra e para ele tudo aquilo foi um milagre de Deus para salvar pai ele filho do preconceito racial. E então o Sr.Arkadius convida seu Jorge para ser o porteiro da sua fábrica e dona Joana para ser a cozinheira de sua luxuosa casa. O convite foi aceito, nove anos já se passaram, e assim nasceu um grande amor e uma grande amizade entre pobre e rico.

Você é um homem rico como o Alemão? Sua riqueza é real? Você é racista, faz discriminação das pessoas, não gosta das pessoas que são simples? Não valoriza a Deus? Se esses requisitos fizerem parte da sua vida, reflita, pois pode estar faltando uma nova inspiração à sua alma.

Untitled8Você é um homem pobre, como seu José, mas é orgulhoso, não gosta das pessoas que são ricas? É racista, não valoriza a Deus? Reflita, pois pode estar faltando uma nova inspiração à sua alma. O tapete da vida poderá puxar seus pés e você talvez não tenha onde cair. Reflita e deixe nascer agora mesmo uma nova inspiração em sua alma.

 

 

Que Deus abençoe a todos, e até a próxima, se assim Ele nos permitir.

Jair Padeiro – o Poeta da Simplicidade. 12/04/15.

 

 

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2 responses

18 04 2015
rodrigo

Nossa meu pai sempre vc inspirando coisas boas para nos refletirmos.Abraço rodrigo

26 04 2015
Gilberto

Deixai vir a mim os pequeninos, pois deles é o reino dos céus! Todas as vezes que Deus quer vir até nós Ele usa os pequenos ou se faz pequeno como na gruta de Belém. Deus esconde suas maravilhas dos sábios e entendidos e as revela aos humildes.
Jair, por meio deste conto você consegue trazer as maravilhas de Deus para os corações de seus leitores. Quando somos tocados por elas, jamais permacemos os mesmos! Assim como Zaqueu, depois que Deus passa por nosso caminho deixando seu perfume do céu, não conseguimos mais viver num inferno aqui na terra.
Seus contos, poesias e orações, nada mais são que maravilhas de Deus distribuidas para nós seus leitores!

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