Amor de Estações

1 08 2016

Oi gente, um forte abraço. O nosso último texto foi “Paraíso Ameaçado”. No alto da colina, uma velha porteira e em um dos mourões um coração não terminado com juras de amor é o que marca o nosso novo texto.

A trezentos metros morro abaixo está a casinha branca onde mora o casal Seu Antonio e Dona Mariana, com seu filho Daniel; pouco mais à frente, cerca de cem metros dali está o casarão do renomado Sr. Romão, o Coronel do Café, com ele sua esposa Elvira e a filha Aline.

Sr. Romão é o proprietário de toda a fazenda, onde Antonio e Mariana trabalham de empregados há alguns anos; seus filhos Daniel e Aline foram criados juntos, brincando pelos floridos bosques da primavera, vendo camélias desabrochar a cada inverno.

Agora na flor da idade, tornaram-se jovens sonhadores, e sentiam na alma um calor que não era só do verão; após tantas estações juntos o amor nasceu em seus corações, para aquecê-los de inverno a inverno.

Foi, porém, sempre dito, que toda luz cria sombras, e como uma nuvem frente ao sol, Sr. Romão não aceitava o romance de sua filha com o filho de seu empregado; entendeu o que se passava quando, certa vez num domingo, foi desligar a bomba d’água que fica há alguns metros da casa e os viu sob a sombra de um salgueiro, trocando juras de amor enquanto Daniel vogava seus dedos por entre os cabelos dourados de Aline, deitada serena em seu colo; não os abordou, antes que pudessem notá-lo fez o que foi fazer e retornou ao casarão, visivelmente tempestuoso proferiu à sua esposa:

– Atente-se bem ao que lhe digo Elvira, não quero nossa filha de gracejos com o empregado, se não fosse por seus pais o estagnaria daqui nesse mesmo momento; (…) Daniel continuará a trabalhar na lavoura, porém, está terminantemente proibido de se encontrar com Aline.

Elvira não ousou responder, pois via em que ira se encontrava Romão, porém, entristeceu-se ao ouvir tais palavras, pois estimava muito Daniel, e não se importava que ele e Aline se apreciassem, muito pelo contrário, sabia que Daniel herdara dos pais o caráter e amabilidade e adoraria tê-lo como genro.

Passados alguns dias, Elvira e Mariana sentem na alma a dor que os filhos estão vivendo por estarem separados sem ao menos se verem de perto. Mariana está limpando a casa com o semblante triste, Elvira pede para que ela se sente:

– “Se não tomarmos uma atitude logo teremos um cortejo fúnebre em nossa casa”.

“Eu concordo plenamente com a senhora, Aline e Daniel estão a ponto de morrerem”.

-“Só há uma saída Mariana, nos momentos em que Romão for à cidade ou estiver ocupado com trabalhos demorados, deixaremos nossos filhos se encontrarem na velha estrada, mesmo que ele algum dia desconfie, não subirá a ladeira sem ter certeza, pois tem muita dificuldade por causa do problema na perna”.

– É uma ótima idéia D. Elvira, e como há muito tempo ninguém vai lá, custará a procurar, e se precisarmos, teremos tempo para apartá-los.

– Com toda certeza.

Dito isto, poucos dias se passaram e Sr. Romão foi à cidade para uma reunião com os cafeicultores da região e só voltaria por volta do cair da noite. Como combinado, D. Mariana e Elvira disseram aos filhos para se encontrar na estrada abandonada, não demorarem muito e é claro, terem juízo.

Ambos, ao ouvirem isso saem imediatamente pela porta, como pássaros que por muito tempo ficaram cativos e um dia encontraram a porta da gaiola aberta, com passos menos acelerados apenas do que seus próprios corações, voavam alto direção à colina da esperança, que depois de tantos dias de profunda solidão, restaurava novamente seus sonhos. Os dois se reencontraram e de mãos dadas sobem a montanha pela estradinha abandonada, chegam ao velho mourão da porteira. O sol parece ter parado para brilhar aquele amor tão lindo de Daniel e Aline. As nuvens parecem estar enciumadas diante de tanta felicidade, as horas, porém, passam rápido, e logo o sol já esta indo embora; chegado o momento de descer a montanha.

Daniel tira do bolso um canivete, desliza-o sobre a madeira e desenha no mourão da velha porteira um coração muito grande, e ali no desenho eles escrevem lindos versos de amor;

“Daniel se esse for o nosso último encontro, esse mourão será por testemunha do quanto nos amamos”.

“Queira Deus que um dia n..

E antes que terminasse de gravar suas juras, Daniel e Aline avistaram ao longe um carro se aproximando da fazenda, era o Sr. Romão!

Ambos descem a colina correndo, e em meio ao caminho se despedem, ainda aos risos de tanta felicidade.

Aline chega em casa antes de Sr. Romão, e este nada desconfia. Este foi o primeiro encontro de muitos que estavam por vir.

Sempre que Sr. Romão estava ocupado, sempre que havia uma brecha, o casal apaixonado se encontrava naquele mesmo lugar, e davam vida nova aos planos de seu futuro juntos.

Certo dia, em uma dessas saídas, seu Romão viu da janela do armazém sua filha saindo de casa, achou muito estranho, e parou o que estava fazendo para segui-la.

Saiu apressado tentando não perdê-la de vista, e mesmo com muita dificuldade começou a subir rumo à estrada abandonada. Já na subida, com muito esforço e já em um ritmo bem menor por causa da perna que sofreu miopatia, seu Romão acaba ficando para trás. Depois de alguns minutos caminhando, persistente, passa pela porteira e alguns metros a frente ouve a voz de Aline chamando por Daniel; fica enfurecido e com o intuito de pegá-los de surpresa move-se o mais rápido que pode em direção à voz de Aline.

O universo porém, parecia se mover mais rápido em prol deste casal, e o que Romão ouviu nada foi além do eco da voz de Aline que ressoou pelas discrepâncias da colina; os dois confidentes já haviam matado a saudade, e o grito que rompeu os céus já era uma despedida, ambos já haviam descido a colina.

Aline já estava em casa, e Daniel também, quando lembrou-se do coração no velho mourão, que não havia terminado da primeira vez que encontrou-se ali com sua amada.

– Vou voltar e terminar de escrever minhas juras de amor, e a próxima vez que ali encontrar-me com Aline, mostrar-lhe-ei para que se alegre.

Deu meia volta, e logo estava novamente frente ao mourão; pegou no bolso o canivete e antes que pudesse escrever uma única letra ouviu o que parecia ser alguém pedindo por socorro.

Achou estranho, mas como ele e Aline sempre se encontravam ali ficou com medo de que sua amada também tivesse voltado e estivesse em perigo.

Saiu correndo e logo ouviu novamente alguém clamando por ajuda; aproximou-se da ribanceira, e agora, mais nitidamente podia ouvir a voz masculina; chegou à borda, abaixou-se e olhou para baixo; seus olhos não podiam acreditar no que via, era Sr. Romão pendurado à borda da colina.

Seu Romão havia corrido rumo à voz, e antes que pudesse perceber, chegou à borda de uma ribanceira, escorregou, e usando todas as forças que tinha arrastou as mãos pelo chão e fez muitas feridas tentando segurar-se, caiu ficando pendurado apenas por algumas raízes, tendo as mãos cortadas, muito ensangüentadas.

Quando Romão viu Daniel disse rapidamente: -“Ajude-me Daniel, minhas forças estão acabando”.

Daniel tinha um bom coração estava sempre pronto para estender a mão para ajudar os outros; dessa vez porém, sentiu uma sensação diferente…

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