Sinos do Amor

18 04 2017

Oi gente, um forte abraço.

O nosso ultimo texto foi “Bodas de Ouro”. Veja a nossa nova mensagem:

Pablo e Juarez com o sobrenome de Rodrigues Gonsales. Dois irmãos gêmeos que eram donos de uma fazenda com oitocentos alqueires de terra e muitas outras propriedades no fundo do sertão mexicano. Dois fazendeiros sagazes, tiranos e cruéis que se enriqueceram em cima de uma mão de obra escrava.

Pablo morava na cidade, tinha um único filho por nome de Ruanito, onde estava o pai também estava o filho, nos eventos sociais, nas reuniões da alta granfinagem, nas festas comemorativas, o Sr. Pablo Rodrigues Gonsales tinha um status bem elevado em meio a alta sociedade e com uma imensa satisfação dizia para todos: “Esse é o meu único herdeiro” – se referindo ao filho Ruanito Rodrigues Gonsales.

A cento e vinte km dali na fazenda cafezal morava Juarez Rodrigues Gonsales, duas almas gêmeas que tinham em seus corações o mesmo sentimento, eram duas personalidades que jamais permitiram que o sino do amor batesse em seus corações.

Na fazenda havia uma imensa colonha com noventa e oito casas que eram todas ocupadas pelos empregados da fazenda, duzentos e noventa e seis trabalhadores moravam ali naquelas casas em uma extrema pobreza, todos ali na colonha viviam em um desconforto lamentável. Dezenas de famílias vivendo uma mão de obra escrava, disfarçada de emprego, que eram imposto pelos irmãos gêmeos.

A quatro km dali separado por uma mata virgem estava a sede da fazenda, quatro mil metros quadrados cercado por um alto alambrado, uma verdadeira fortaleza, ali estava a casa de Juarez Rodrigues Gonsales. O coronel do sertão.

 

Domingo

         14 de Março, 11h40m

         O fazendeiro está na varanda e avista ao longe um carro vindo em direção da sua casa, calça as botas, coloca o seu chapéu panamá e vai até o portão com dois empregados, o carro para em frente ao portão que está trancado, descem três pessoas do carro, seu irmão, sua cunhada por nome Estelita e o filho andam pelo belo jardim e se encantam com a beleza das flores. Enquanto isso na varanda os irmãos conversam.

“Ruanito se formou em agronomia há um mês e eu vou deixá-lo na fazenda por uns seis meses, ele está ansioso por umas férias prolongadas”.

“Nada melhor que a fazenda pra ele que é agrônomo recém formado, você está fazendo certo meu irmão, aqui ele será bem cuidado, ele vai adorar essas férias, tenho certeza”.

E nisso chega Estelita e o filho, e todos vão para o almoço.

 

15 de Março, 15h40m

         É hora da volta, todos se despedem e Ruanito fica com o tio para as tão sonhadas férias.

         Será que Ruanito voltaria? Muita coisa iria acontecer nesse tempo com o jovem ali na fazenda. Veremos mais adiante.

 

Tia e sobrinho sentam na varanda e Juarez lhe dirige essas palavras.

“Amanhã é o grande dia, vai se iniciar a colheita do café e você nunca esteve aqui em tempos de colheita, eu quero que você veja como é bonito de ver quase trezentas pessoas trabalhando em um cafezal. É dali Ruanito que veio a nossa fortuna”.

“É tio, essa é a segunda vez que venho na fazenda, na verdade eu só conheço a sede e nada mais, eu quero conhecer tudo por aqui, tempo eu terei de sobra e confesso que estou ansioso para ver como é feito a colheita do café”.

Um novo dia amanhece naquele sertão, são seis da manhã, Juarez está fazendo o café e o sobrinho aparece.

“Oi tio, bom dia”.

“Bom dia menino, que surpresa você também levanta cedo”.

“Só na fazenda”. – E da um sorriso.

“Eu sempre me levanto cedo para fazer o café depois que fiquei viúvo”.

“Ruanito hoje é o grande dia vamos iniciar a colheita do café”.

“Depois quero ir lá, estou curioso para ver o povo colhendo café”.

“Daqui a pouco você sobe lá, é só seguir essa estrada que fica atrás do pomar e você vê o primeiro talhão do cafezal”.

São quatorze horas, lá está o jovem andando pelo cafezal, Ruanito olha com muita atenção cada movimento dos colhedores, são quase trezentas pessoas a serviço do pai e do tio, uns estão derrubando o café pelo chão, outros abanando o café com uma enorme peneira, outros ensacam o café, e outros usam o rastelo e amontoam o café, assim por diante.

Ruanito sobe até o final do cafezal e ao pé de um morro ele vê algo que lhe deixa impressionado. Um pé de ipê amarelo todo florido e em baixo dele um homem tomando café e ao lado uma moça com duas moringas, Ruanito se aproxima e cumprimenta o homem, e diz que é o sobrinho de Juarez e filho de Pablo, que é um agrônomo recém formado e que vai ficar na fazenda por um bom tempo. E faz para o homem uma pergunta.

“O senhor é colhedor de café?”

“Sim, colho café, capino, o que precisar”.

“E essa moça é sua filha?”

“É a minha filha caçula, tenho três filhas”.

“Ela também colhe café?”

“Não, ela é bombeira”.

“Bombeira?!” – olhou pra moça e sorriu, a moça também sorriu e disse para o pai:

“Meu pai, explica melhor pra ele, ele não sabe as coisas da roça”.

O homem da um sorriso e conclui:

“Bombeiro são as pessoas que puxam água com uma moringa para o povo beber”.

“Ah sim, agora eu entendi, bombeiro na cidade são as pessoas que apagam fogo”. – Olha pra moça e os dois dão um belo sorriso.

E nesse momento chega o fazendeiro.

“E ai, já aprendeu a colher café Ruanito?”

“Nossa tio, eu estou encantando, nem imaginaria que era assim, tão divertido no meio desse povo”.

Os dois desceram para casa e bem perto do casarão o moço faz uma pergunta.

“Tio, quem é aquela moça tão linda lá debaixo do pé de ipê?”

“Aquela moça meu jovem é a rainha do sertão, ela já encantou muitos corações aqui no sertão, mas parece que não quer compromisso, ou ainda não se encontrou com um príncipe encantado”.

“Só pode ser isso, ela é linda demais e me parece ser uma moça bem humilde, eu também fiquei encantando por ela”.

Que felicidade Ruanito estava sentindo.

 

         29 de Março

A colheita está a todo vapor, Ruanito já conheceu as paisagens mais bonitas da fazenda, já andou a cavalo, já caminhou pelos campos verdejantes, pelas campinas floridas, já nadou, já pescou no belo rio que passa no fundo da fazenda, já foi de manhã na mata, já foi de tardezinha para ver a revoada e o canto dos passarinhos, a orquestra da natureza, louvando ao criador. Como canta bonito o sabiá, o bem-te-vi, o urupuru, como pia bonito o nhambu lá no baixadão. A beleza do sertão deixou o jovem fascinado, mais até o momento o que mais encantou Ruanito foi a beleza da moça que ele conheceu lá debaixo do pé de ipê todo florido.

Já era quatro de abril e ele não esquecia, não tirava a Rebeca do pensamento, pela primeira vez em seus vinte e dois anos ele se encantou por uma moça, mais ele não tinha mais visto a bela moça, seu tio o manteve ocupado todos esses dias para arrumar a sacaria que iria ser usada na colheita do café. E lá na roça a Rebeca conversava com seu pai.

“Pai, cadê o Ruanito, ele não veio mais aqui, porque será?”

“Você conhece bem o Juarez não conhece? Deve estar usando ele pra trabalhar, coitado do rapaz, aonde ele veio tirar férias”.

         Rebeca também nos seus dezenove anos pela primeira vez se encantou por um moço. Será que haverá um novo encontro? Veremos mais adiante.

“Hoje é domingo ninguém está trabalhando, a Rebeca deve estar em sua casa”. – Pensava consigo mesmo o rapaz. O jovem estava ainda na flor da idade se despontando para a vida, tinha um coração de ouro, não adquiriu nada do pai e nem do tio. Herdara toda bondade que tinha sua mãe, falava bem devagar, suas doces palavras eram bem pensadas antes de serem pronunciadas, era elegante, sabia se vestir muito bem, era inteligente e lidava de um modo bem educado com as pessoas, mas tinha defeitos como todos nos também temos. O seu defeito era a timidez, era muito tímido, não conhecia os meios que um homem tem para conquistar uma mulher, sua timidez o deixava separado das moças que o admirava. Ele tinha um metro e oitenta e cinco, era moreno, olhos bem verdes, era muito bonito, tinha um porte atlético invejável, mas vivia sozinho, nunca teve uma namorada, nunca desfrutou da doçura que é ter carinhos de uma mulher.

A jovem que ele conhecera lá na sombra do ipê florido era linda, também era morena, olhos castanhos, tinha um metro e setenta, cabelos negros e longos, o seu corpo, ah! Não dava pra descrever, era uma sereia! Que encanto de mulher! Tinha a beleza de uma tarde sertaneja, era conhecida e chamada por todos da colonha por Rainha do Sertão.

São oito horas da manhã, o dia está ensolarado, Ruanito está aflito, quer ver novamente aquela moça, e faz uma pergunta para o tio.

“Aonde mora toda aquela gente que estava colhendo café?”

“Aquele povo mora na colonha, são noventa e oito casas, na quinta casa mora o Sanches nosso administrador, eu já falei com ele a seu respeito e pedi que ele falasse com o pessoal sobre você, vai lá conhecer aquela gente, de agora em diante você está livre para desfrutar das suas férias”.

“Onde fica a colonha?”

O tio explica e o jovem segue rumo a colonha, anda por meia hora e avista a vila.

Na quinta casa ele vê um homem na porta, era Sanches, o administrador.

“Bom dia Sanches”.

“Bom dia Ruanito, entre vamos tomar um café, eu já falei com todo pessoal sobre você”.

Ruanito entra e enquanto eles conversam a esposa do Sanches faz um café. O jovem está perplexo, nunca antes se deparou com tanta pobreza, o piso era o chão, os quartos não tinham portas, não havia sala e nem banheiro, era um mictório no quintal. Um fogãozinho a lenha e paredes pretas. No terreiro brincam crianças magrinhas e desnutridas. Um cenário de pobreza de cortar a alma.

Ruanito parecia não acreditar no que via e pensava consigo mesmo: “se esse homem é o administrador e vive nesse estado, como vivem os demais empregados do meu pai que moram nessa colonha?! O que eu estou vendo é uma escravidão a céu aberto”. Ruanito está de abeca baixa pensativo e o Sanches lhe pergunta:

“Você está bem, você quer mais um café?”

“Obrigado Sanches, eu estou apenas um pouco chateado, está tudo bem”. Despede-se de Sanches e a esposa e sai dali com os olhos embaçados pelas lágrimas, mais adiante já na décima casa vê uma senhora com uma criança no colo e pergunta:

“A Senhora poderia me dizer onde mora o Manuel, o pai de Rebeca?”

“Mora na última casa moço, é bem longe”.

“Vou até lá, obrigado”.

Ruanito vai bem devagar em direção da casa de Rebeca, cumprimenta as pessoas pelo caminho, as que estão na porta, brinca com as crianças que estão no terreiro e finalmente chega na ultima casa. Manuel está na porta. Ruanito se aproxima e o cumprimenta e ambos entram.

“Senta Ruanito, Joana faz um café pra nóis”. – As duas irmãs da Rebeca vêm e cumprimentam o jovem.

O moço fica ali por uma hora e meia conversando, sorrindo como se já o conhecesse há bastante tempo, deixou sua timidez de lado, mas está ansioso, cadê a Rebeca..

Não mais consegue se contiver e pergunta.

“E a Rebeca Manuel, onde está?

“Ela está lá na mina lavando a roupa e só volta a tarde”.

“Onde fica essa mina?”

“É só seguir essa estradinha e entrar no primeiro carreador, a direita bem no pé de uma montanha já é a mina, não tem como errar de longe você vai escutar o barulho da cachoeira que desce bem perto da mina”.

“Eu posso ir até lá conversar com ela?”

“É claro que pode meu filho”.

E lá está Ruanito depois de vários dias, pertinho da moça, ela nem percebe a sua chegada por causa do barulho da cachoeira, ele senta atrás dela, ela está lavando a roupa, e ele diz:

“Oi bombeira” – bem alto.

Ela vira de frente com ele e diz essas palavras:

“Ah Ruanito, que susto você quase me mata do coração”. – E dá um lindo sorriso junto com o rapaz. E conclui:

“Nossa, até que enfim apareceu”.

“É, eu demorei, mas estou de novo com você, parece que o seu negócio é mesmo mexer com água né, os dias da semana você é bombeira e no domingo você passa o dia lavando roupa né?”

“É a minha vida do sertão Ruanito”.

“Você não gostaria de morar na cidade, ter uma casa de luxo com todo conforte Rebeca?”

“Ha, quem sou eu moço para um ia ser uma madame, nasci no sertão, sou muito pobre e acho que vou viver para sempre assim, não posso sonhar com grandezas Ruanito”.

“Engano seu Rebeca, você sabia que Deus pode mudar a vida da gente a hora que Ele quiser?”

“Se Deus quiser moço ele pode fazer isso pra gente sim, mas nós aqui dessa colonha somos um povo esquecido do resto do mundo, trabalhamos o dia todo como se fossemos escravos e o que ganhamos não da para comer”. Algumas lágrimas deslizam pela face da moça e outras lágrimas também deslizam na face de Ruanito.

“Me desculpe por eu estar falando assim, o seu pai e o seu tio é nosso patrão”.

“Que isso Rebeca eu é que estou chateado e muito revoltado com isso, espero que você me perdoe por isso”.

“Você não tem culpa Ruanito”. Depois eles mudam de assunto.

Eles estão ali sentados um perto doutro, conversando sorrindo como duas crianças, depois a moça se levanta e termina de lavar a roupa e os dois sobem a estrada e Ruanito faz a ela uma pergunta.

“Amanhã você vai ser bombeira lá no cafezal?

“Sim, vou estar lá o dia todo”.

“Será que eu posso ser bombeiro junto com você?”

“Ah Ruanito, é claro que sim”. Os dois sorriem, e que sorriso bonito se estampou na face de ambos. O sino do amor estava começando a abater em dois corações ali no sertão.

E no dia seguinte lá estava Ruanito e Rebeca dando água para o povo no cafezal. Ruanito entrava por uma rua e Rebeca por outra. O jovem brincava com as pessoas, sorria, conversava e em poucos dias todos o amavam, Ruanito era muito bondoso. Os dois juntos, ele e a Rebeca desciam pra mina buscar água, subiam da mina, sorrindo, brincando, assim foi por muitas semanas. Ruanito estava batendo o sino do amor no meio daquele povo.

Novamente é um domingo. Rebeca está na mina e Ruanito aparece de surpresa e diz bem alto.

“Oi bombeira”.

“Ah Ruanito, de novo, assim você me mata”. Sorrisos.

“Não, eu não quero te matar.” – A moça se distrai e o sabão cai na água.

“Viu o que voe fez, por sua causa o sabão caiu na água e agora?”

“Eu pego pra você, não fique zangada comigo Rebeca.”

Abaixou-se e pegou o sabão da água e colocou de um jeito bem carinhoso na mão da moça.

“Rebeca o meu tio me falou que você já encantou muitos corações é verdade?”

“Ruanito eu nunca tive namorado, eu nunca namorei, eu Ruanito, nunca beijei um homem”.

“Eu também Rebeca nunca tive uma namorada eu ainda não sei o que é beijar uma mulher, então, nós somos iguais”.

“Será que eu posso acreditar nisso Ruanito?”

“Eu jamais mentiria pra você Rebeca, uma moça tão amável, tão meiga não pode ser enganada, ainda mais quando ela é conhecida por todos como rainha do Sertão.

“Uma rainha sem um palácio, sem um trono e sem um rei, assim sou eu Ruanito”.

“Engano seu Rebeca, o seu rei está aqui bem pertinho de você, bem na sua frente”.

Os dois estão a um palmo de distancia, um olhar penetrante nos olhos de Ruanito vai na alma de Rebeca, outro olhar penetrante de Rebeca vai na alma de Ruanito. Não deu mais para segurar, o coração está dilacerado, se derretendo como cera. Os dois se abraçam e Ruanito acaricia bem lentamente os cabelos negros e longos de Rebeca que está com a cabeça apoiada em seu peito. Em seguida um novo olhar e os dois se beijam com ternuras. O sino do amor bateu forte em dois corações em pleno sertão. A cachoeira, as águas cristalinas daquela mina, o sol, o lindo céu azul, enfim toda natureza foram testemunhas de um lindo amor que marcaria uma vida inteira de felicidades.

Enquanto tudo isso acontecia no sertão, lá na cidade Pablo se prepara para buscar o filho. Os cinco meses e alguns dias se passaram, já era fim das férias que o pai dera para o filho. Será que Ruanito voltaria com o pai? Veremos adiante.

São dezoito horas, Pablo e Estelita chegam na fazenda.

“E daí meu filho, conta o que você achou das férias prolongadas aqui na fazenda”.

“Foi muito emocionante meu pai, pra dizer a verdade pra mim aqui é um paraíso na terra, quase tudo aqui é muito bonito, amei, adorei ficar aqui por esses cinco meses e alguns dias”.

Juarez e Pablo se emocionam com as palavras de Ruanito, Estelita apenas ouve e fica calada, não tem nenhum entusiasmo ao ouvir o filho falar apenas da beleza que tem a fazenda. Ela conhecia muito bem a pobreza da colonha que o pai escondeu do filho por todos esses anos, sabia da mão de obra escrava e outros meios sujos dos irmãos para se enriquecerem. A mãe percebe que o filho queria dizer algo mais, mas se cala. As mães percebem o sentimento dos filhos sem que eles falem. Será que um dia Ruanito falaria para o pai sobre a colonha? Veremos adiante.

A noite passa e no dia seguinte acontece o inesperado, algo que Pablo nem imaginaria, chama o filho para o carro e o filho abre o jogo com essas palavras.

“Pai eu não vou voltar, pretendo ficar aqui até o término da colheita e depois vou me decidir o que eu faço. Meu pai eu conheci aqui na fazenda uma moça que será um dia a minha esposa, eu não vou embora sem a minha Rebeca”.

O pai entra em pânico, se desespera, não se conforma, não quer voltar sem o filho ao seu lado. Não aceita ver o filho se casar com uma moça pobre, insiste com o filho, mas não adianta. Sendo assim o pai volta só com a esposa que apóia o filho, pois queria ver a felicidade do filho. Assim é o amor de mãe.

E a rotina na fazenda voltaria ao normal, muitos dias se vão, semanas se passam e mais uma vez o inesperado acontece. Juarez tem um AVC e fica em uma cadeira de rodas, está sob os cuidados da irmã de Rebeca. Pablo está na cidade inconformado, irado sofrendo muito a separação do filho e a dor é grande pelo incidente do irmão. Três semanas depois ele também tem um AVC e vai parar em uma cadeira de rodas.

O filho busca o pai e a mãe para morar na fazenda, algumas semanas depois é o fim da colheita. Ruanito convida todo povo para vir até a sede e pela primeira vez aquela gente entra pelo portão e fica em frente ao casarão ocupando aquele espaço ajardinado em volta da casa. Lá na varanda estão Estelita, Rebeca e Ruanito, Sanches e ao fundo da varanda estão Pablo e Juarez em uma cadeira de rodas.

Ruanito ergue os braços e pede silencio para o povo e faz um discurso com essas palavras:

“Honrado povo da fazenda Cafezal que agora passará a se chamar Fazenda Sinos do Amor. Meu pai e meu tio não estão bem de saúde e passaram para mim o direito de posse dessa fazenda, eu sou o único herdeiro dessas terras e já foi me dado o direito de assumir a fazenda e a partir de hoje eu sou o vosso patrão. Sanches continuará sendo o administrador. Podem ter uma certeza que o cenário aqui vai mudar, será bem diferente da atual. A vila em que vocês moram será em breve apenas barracos para armazenas insumos agrícolas. Em breve vocês irão morar em casas de alvenaria com todo conforto. Vocês terão salário digno para cuidar bem das vossas famílias. Só uma coisa peço a todo vocês. Plantem amor que vocês irão colher amor. Estelita chorava de emoção ao ouvir o filho falar. Rebeca também chorava muito. Sanches abraça Ruanito e o povo todo se emociona.

Os fazendeiros estão sentados nas cadeiras de roda, abatidos, estáticos, perplexos e envergonhados com tanta maldade que cometeram com aquela gente. De repente quatro homens sobem a escada e põem Ruanito nos ombros e saem pelo jardim e todo povo grita “Viva Ruanito!”.

Dois meses depois Ruanito e Rebeca se casam, uma grande festa com o povo pelo fim da colheita e pelo casamento de Ruanito e Rebeca. Alguns anos já se passaram, Pablo e Juarez já faleceram, mas pagaram um alto preço por tanta maldade que cometeram com aquele povo. Uma colonha co cento e dezenove casas de alvenaria com todo conforto fora construída para os trabalhadores da fazenda. Todos recebiam salários dignos s conforme o prometido por Ruanito. Acabou-se a escravidão, o Sino do Amor bateu bem alto em pleno sertão.

No casarão mora Ruanito, Rebeca e Estelita com dois netinhos. Lá no portão bem no alto um grande sino simbolizando o nome da fazenda com essas palavras:

“Fazenda Sinos do Amor. Que Deus nos abençoe e que nunca deixemos de bater o sino do amor”.

 

Até a próxima se ele assim nos permitir.

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